quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Realizando sonhos

Ana Clara é uma menina linda de olhos castanhos claros, cabelo liso cor de mel e pele branca rosada. Um verdadeiro milagre que saiu da barriga da minha querida esposa Ester. 

Ester não podia ter filhos segundo os médicos, mas o que pensávamos ser sintomas de uma doença grave, foi na verdade a descoberta do nosso bem mais precioso: Ana.

Ana Clara é uma menina cheia de perguntas; uma imaginação lindamente fértil e tem um coração maior que ela. Com seus 5 anos já carrega consigo uma sabedoria ímpar de quem aprecia a vida. Quando vamos ao parque, vejo a luz de Ana nitidamente. Ela é enérgica, solidária, generosa, sorridente, contemplativa e curiosa. É tão bonito vê-la vivendo. Não imaginava que ela nos levaria tanto para passear, para ser livre, para gostar do simples, para sermos tão presentes, pacientes e gratos. 

Apesar dela já ter sido enviada com um espírito tão bondoso, pedimos a Deus orientação pra educá-las da melhor forma; ensinamos quem está acima e olha por nós; a quem oramos pedindo tantas coisas e agradecemos. Ela já sabe que não é como um gênio da lâmpada ou um servo que faz exatamente como queremos; tudo tem que ser conforme a grandiosa e perfeita sabedoria, que vem dEle. E diante da vontade dEle.

Ana agora está aprendendo sobre "realização de sonhos". Ela já percebeu que existe uma força no nosso desejo que transforma situações; que faz com que tantas coisas se tornem reais. Dia desses, ela ficou me questionando qual era o passo a passo de como os sonhos se realizam. "Precisa querer, falar, pedir... e mais o quê?" Eu disse a ela que depende do que ela quer conquistar. Mas algo tem que ser feito para além do querer em si, tem que ter ação. 

Alguns dias se passaram, estávamos no parque quando ela ficou muito tempo olhando o céu em um fim de tarde. Alguns minutos e as cores de quando ela começou já se misturavam e não eram mais as mesmas. Ela ao olhar às vezes sorria de leve. Fechou os olhos e repirou fundo, depois soltou o ar lento e veio até mim.

- Quantos agradecimentos e bons desejos cabem na distância daqui pra o céu? - perguntou Ana. 

Foi quando fiquei admirando a beleza e reverência da sua pergunta. Há gratidão no peito; há inúmeros sonhos e vontades; há uma confiança e respeito a Deus que está no céu. Então respondi: 

 - As medidas estão nas palavras, minha pequena. Basta falar e acreditar, então a magia irá aconteter. 

Ana sorriu satisfeita. Parecia tranquilamente contente com a infinitas possibilidades.

quinta-feira, 28 de março de 2024

Vooando

Na janela havia uma cortina com blackout devidamente fechada e um ar frio. Luci dormira por cima de um livro e esqueceu até o abajur aceso. De repente, ao se mexer, acorda. Suas costas doem muito e ela não acha bem uma posição então vira de bruços. Que alívio... Parece liberta. Alonga o braço pra o lado, apaga a luz do abajur e volta a dormir. 

Depois de horas decidiu se levantar. Se espreguiça de frente pra o espelho com o corpo pesado e asas! Ela ver asas! Fica atordoada, assustada olhando fixo pra o espelho. Depois esfrega seus olhos, procura o celular, ver a hora e se belisca. Apaga e acende a luz. Não... Ela não está dormindo! Como isso é possível? Asas de borboleta! Isso explicaria as dores nas costas. O que ela veste tendo asas? Cogumelo! Fumou antes de dormir... Então, bem, isso não pode ser real. Mas e se for? "São bonitas. Eu poderia tentar voar!" 

Nesse momento ela veste uma roupa e por cima de um top joga um casaco. Desce no prédio e vai andando pelas ruas; percebe que o sol mal clareou, não tem ninguém a vista. "E se eu tentar?" Tira o casaco, se sacode como se isso ajudasse a abrir as asas e corre abrindo os braços. Sente planar! Que sensação maravilhosa. 

- Agora que aprendi a planar é hora de voar mais alto! 

E ela bate as asas só em pensar que precisa bater então voa muito mais alto! É uma sensação de liberdade incrível com uma altura assustadora. A medida que pensa e se descobre, ela voa diferente. Segura de si, já nem tem mais medo de altura. Ela tem a sensação de que as asas só precisavam de um tempo pra se formarem, mas é a essência de Luci. Faz parte dela! E como é encantador voar! Em algum momento ela passa por tipos de árvores e enxerga as casas de cima que mais parecem maquetes; passa por outros animais e eles nem olham ela diferente... Nessa hora ela entende e exclama: "Eu também sou bicho!" Depois de um longo voo pela cidade ela decide pousar, voltar e faz isso perfeitamente e sorrindo. Entra pela janela do quarto e se debruça na cama contente. Mas sua prima bate na porta,, então se levanta de repente, destranca a porta e fica sentada na cama. A prima entra e diz: - Bom dia! Já estava preocupada, a tempos que batia na porta. A gente vai se atrasar pra ir a faculdade! Que cara é essa? Parece que teve um sono bom, hein? Tá com a cara boa. Mas se apresse, vou terminar de preparar nosso café. 

Luci sorri e diz que já vai descer. Enquanto a prima desce as escadas ela olha no espelho e ver que as suas asas não estão ali. Só  marcas nas costas como se estivessem guardadas. Então ela tenta encontrá-las: "Ativar asas!" e elas surgem lentamente se abrindo como uma flor desabrochando. A medida que as asas vão se abrindo vai surgindo um grande sorriso  em seu também. Maravilhada. "Vocês estão aí. Sim! Vocês aparecem quando são bem vindas. Quando eu decidir usar... Que bom. Que bom vocês existirem em mim. Usarei vocês mais vezes! Obrigada por aparecem no meu aniversário."